quinta-feira, 4 de junho de 2009

Você não entende nada/Cotidiano



ps: se chico buarque pode errar a entrada da música eu também posso

você não entende nada

Composição: Caetano Veloso
Intérprete: Chico Buarque

Quando eu chego em casa nada me consola
Você está sempre aflita
Lágrimas nos olhos, de cortar cebola
Você é tão bonita
Você traz a coca-cola eu tomo
Você bota a mesa, eu como, eu como
Eu como, eu como, eu como
Você não está entendendo
Quase nada do que eu digo
Eu quero ir-me embora
Eu quero é dar o fora
E quero que você venha comigo
E quero que você venha comigo
Eu me sento, eu fumo, eu como, eu não aguento
Você está tão curtida
Eu quero tocar fogo neste apartamento
Você não acredita
Traz meu café com suita eu tomo
Bota a sobremesa eu como, eu como
Eu como, eu como, eu como
Você tem que saber que eu quero correr mundo
Correr perigo
Eu quero é ir-me embora
Eu quero dar o fora
E quero que você venha comigo
E quero que você venha comigo
E quero que você venha comigo
E quero que você venha comigo
E quero que você venha comigo

cotidiano

Composição: Chico Buarque
Intérprete: Caetano Veloso

Todo dia ela faz tudo sempre igual
Me sacode às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã
Todo dia ela diz que é pr'eu me cuidar
E essas coisas que diz toda mulher
Diz que está me esperando pr'o jantar
E me beija com a boca de café
Todo dia eu só penso em poder parar
Meio-dia eu só penso em dizer não
Depois penso na vida prá levar
E me calo com a boca de feijão
Seis da tarde como era de se esperar
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca prá beijar
E me beija com a boca de paixão
Toda noite ela diz pr'eu não me afastar
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr'eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Não Adianta - Sérgio Sampaio


Não Adianta
(Sérgio Sampaio)

Não adianta,
Não adianta nada ver a banda,
Tocando “A Banda” em frente da varanda,
Não adianta o mar,
E nem a sua dor.

Não adianta,
Não adianta o bonde, a esperança,
E nem voltar um dia a ser criança,
O sonho acabou,
E o que adiantou?

Não tenho pressa,
Mas tenho um preço,
E todos tem um preço,
E tenho um canto,
Um velho endereço,
O resto é com vocês,
O resto não tem vez.

O que importa,
É que já não me importa, o que importa,
É que ninguém bateu em minha porta,
É que ninguém morreu,
ninguém morreu por mim.

Não quero nada,
Não deixo nada, que não tenho nada,
Só tenho o que me falta e o que me basta,
No mais é ficar só,
Eu quero ficar só.

Não adianta,
Não adianta, que não adianta,
Não é preciso, que não é preciso,
Então pra que chorar?
Então pra que chorar?
Quem está no fogo, está pra se queimar,
Então pra que chorar?

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Auguste Rodin



Auguste Rodin -La Danaïde. 1885

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Auguste Rodin

Auguste Rodin - Andromeda

terça-feira, 28 de abril de 2009

Auguste Rodin

Auguste Rodin - Torso de Adèle (1882).

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Gustav Klimt - The tree of life - 1909
20 anos recolhidos

chegou a hora de amar desesperadamente
apaixonadamente
descontroladamente
chegou a hora de mudar o estilo
de mudar o vestido
chegou atrasada como um trem atrasado
mas que chega

(Chacal)

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Quase diário fantasiado pelo alterego ou Diálogo tentando conciliar id e superego

É tudo que eu preciso, um papel, uma caneta e um cigarro. Daí me lembro do aeroporto de São Paulo, e toda aquela nostalgia barata de ter viajado. Aquele sol aquecendo o corpo, nada além do corpo, e eu empenhada em fumar um cigarro, um desejo de um abraço e nada a minha frente (ou tanto concreto que chegava ao nada). Talvez um pouco mais pragmática. A objetividade é extremamente necessária aos loucos que se perdem tão fácil na dura realidade. Restaram lembranças, nada além de lembranças e meu corpo, com aquele cigarro barato que além de nostalgia me provocava náusea. De me empenhar a fumar, foi o que restou das lembranças de saber que sou latina. Latida, latente. Agora vou aprender a cantar. Quem canta não pode ser infeliz. Serei uma a(u)(r)tista completa, me aventurei nas artes práticas, escrita, e agora canto. Só na arte do amor é que me fodo. Mas também não dá pra ter tudo na vida, sou uma boa jogadora de buraco, e sabe como dizem: “sorte no jogo, azar no amor”. Lá se vai mais um com o coração partido. Não, espere! Aquele ali é um espelho. Pra cada dedo indicador apontado, outros três apontam pra você mesmo. É mais fácil amar uma ilusão do que a dura realidade. Sou a desengonçada tentando eternamente ajeitar a vida, não por opção, mas por não saber lidar com o cotidiano dos bancos mercenários, do concerto das máquinas, da burocracia de ser empregada, das monografias desafinadas, e por ter perdido metade da minha memória no meio do caminho (desmesmoriada por genética). Não sou lésbica, não sou puta, não sou drogada, mas por me simpatizar com eles e talvez respeitar tudo isso, acabo me tornando um deles. Deslocada do mundo que exige um pragmatismo que não consigo alcançar por ser desengonçada. Voltando ao aeroporto de São Paulo, tudo se resume ali, naquele sol e eu sozinha esperando algo que não sabia bem o que e como viria. Veio. Veio a vida é claro, inevitável. Estava voltando pra casa de um mês de viajem pela américa latina e tudo voltaria a ser como antes. Ter a liberdade tão desejada por todos não é fácil, carregar a cruz dos outros nunca é fácil, extravasar a loucura dos outros nunca é fácil (mas o mundo precisa de Jesus Cristo). Queria ser normal, já se foi, alguma coisa perverteu meu caminho, acho que ainda na barriga de minha mãe. Não quero ser hedonista, quero respeitar meus limites. Mas no aeroporto de São Paulo eu podia sentir que tudo era possível. E sempre restam lembranças. Não sei acabar este texto, porque a vida continua, e por ser demasiado pessoal, eu continuo a vida, meus amores insensatos, minha constante busca por pragmatismo, minha monografia interminada e eu aqui na fila do banco esperando horas pra ser atendida pra poder pagar minhas dividas. Minha senha chegou, levanto atordoada, catando caneta e papel e procurando meus óculos pra saber qual mesa deveria me dirigir. A moça atrás do balcão me sorri simpática e eu descomposta, meu caso não é tão grave assim. Mas eu agoniada: “fecha tudo moça, encerre todas as minhas contas” – ela ri. Eu definitivamente não sei mexer com isso. Por vezes perco minha caneta em meu cabelo e saio a procurar – “onde está a caneta que estava agora pouco aqui meu deus, me ajuda a procurar” – pra meia hora mais tarde encontrá-la prendendo meus cachos que agora não são mais tão cacheados assim. Tudo bem eu assumo minha culpa, mas tenho pavor de quem não assume a própria culpa, nada mais covarde. E agora eu tenho que carregar minha casa em minha bolsa por ter que passar o dia inteiro resolvendo pepino (quem inventou essa gíria?), mas tudo bem, eu sobrevivo à pão na chapa. Só preciso de um papel, uma caneta (e agora um cigarro) pra reinventar meu mundo.

Renoir

Renoir

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Kurt Gebauer

Girl Running - Kurt Gebauer

Eu tenho uma teoria: quem canta não pode ser infeliz


IANSÃ
Intérprete: acho que é uma tal de Rita Ribeiro
Compositor: Gilberto Gil e Caetano Veloso
ps: prefiro a versão de Maria Bethânia no disco Drama, mas não tinha no youtube.
"Para onde vai a minha vida e quem a leva?
Porque eu faço sempre o que não queria?
Que destino contínuo se passa em mim na treva?
Que parte de mim, que eu desconheço, é que me guia?"

Senhora das nuvens de chumbo
Senhora do mundo dentro de mim
Rainha dos raios, rainha dos raios
Rainha dos raios, tempo bom, tempo ruim
Senhora das chuvas de junho
Senhora de tudo dentro de mim
Rainha dos raios, rainha dos raios
Rainha dos raios, tempo bom, tempo ruim
Eu sou o céu para as tuas tempestades
Um céu partido ao meio no meio da tarde
Eu sou um céu para as tuas tempestades
Deusa pagã dos relâmpagos
Das chuvas de todo ano
Dentro de mim, dentro de mim

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Portinari


Candido Portinari

sexta-feira, 6 de março de 2009

Vinícius de Moraes - Sonetos

EPITÁFIO

Aqui jaz o sol
Que criou a aurora
E deu luz ao dia
E apascentou a tarde

O mágico pastor
De mãos luminosas
Que fecundou as rosas
E as despetalou

Aqui jaz o sol
O andrógino meigo
E violento, que

Possuiu a forma
De todas as mulheres
E morreu no mar


SONETO DE FIDELIDADE

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvou hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


SONETO DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS

Por seres quem me foste, grave e pura
Em tão doce surpresa conquistada
Por seres uma branca criatura
De uma brancura de manhã raiada

Por seres de uma rara formosura
Malgrado a vida dura e atormentada
Por seres mais que a simples aventura
E menos que a constante namorada

Porque te vi nascer de mim sozinha
Como a noturna flor desabrochada
A uma fala de amor, talvez perjura

Por não te possuir, tendo-te minha
Por só quereres tudo, e eu dado-te nada
Hei de lembrar-te sempre com ternura


O VERBO DO INFINITO

Ser criado, gerar-se, transformar
O amor em carne e a carne em amor, nascer
Respirar, e chorar, e adormecer
E se nutrir para poder chorar

Para poder nutrir-se; e despertar
Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir
E começar a amar e então sorrir
E então sorrir pra poder chorar.

E crescer, e saber, e ser, e haver
E perder, e sofrer, e ter horror
De ser e amar, e se sentir maldito

E esquecer tudo ao vir um novo amor
E viver esse amor até morrer
E ir conjugar o verbo no infinito...


SONETO AO CAJU

Amo na vida as coisas que têm sumo
E oferecem matéria onde pegar
Amo a noite, amo a música, amo o mar
Amo a mulher, amo o álcool e amo o fumo.

Por isso amo o caju, em seu resumo
Esse materialismo elementar
Fruto de cica, fruto de manchar
Sempre mordaz, constantemente a prumo

Amo vê-lo amarrado ao cajueiro
À beira-mar, a copular com o galho
A castanha brutal como que tesa:

O único fruto – não fruto – brasileiro
Que possui consistência de caralho
E carrega um culhão na natureza.


Moraes, Vinícios de, 1913-1980. Livro de Sonetos. São Paulo: Companhia das Letras, 1991.

ps: odeio os gênios porque eles me fazem sentir tão medíocre... mas amo ler suas poesias.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Frida Kahlo

Frida Kahlo - Roots, 1943

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Nouvelle Vague - Melt with you


Moving forward using all my breath
Making love to you was never second best
I saw the world thrashing all around your face
Never really knowing it was always mesh and lace
I’ll stop the world and melt with you
You’ve seen the difference and it’s getting better all the time
There’s nothing you and I won’t do
I’ll stop the world and melt with you
Dream of better lives the kind which never hate
Dropped in the state of imaginary grace
I made a pilgrimage to save this humans race
Yes I did
What I’m comprehending a race that long gone bye
I’ll stop the world and melt with you
You’ve seen the difference and it’s getting better all the time
There’s nothing you and I won’t do
I’ll stop the world and melt with you
The future’s open wide
I’ll stop the world and melt with you
You’ve seen the difference and it’s getting better all the time
There’s nothing you and I won’t do
I’ll stop the world and melt with you, yeah
I’ll stop the world and melt with you
I’ll stop the world and melt with you, yeah, yeah

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Ao caos do umbigo do mundo

Cusco- Peru


Cusco - Peru

Sucre - Bolívia


Potosí - Bolívia