sexta-feira, 20 de julho de 2007

A Arte – Reflexões do Dia com Nilson Camizão

(la Grènouillère - Claude Monet )


Já me desculpo com os entendedores de arte se o que vos digo não passa de um monte de abobrinha, mas como humana tenho direito ao erro e numa democracia tenho direito de expressar minha opinião, que para mim parece bastante plausível .
Para que serve a arte? vos pergunto. E acredito que essa pergunta é feita por diversos filósofos, artistas, cientistas, e por nós meros mortais, que de uma maneira ou de outra experimentamos a arte, seja ao observar uma obra, ao ler um bom livro, ao escrever um poema, ou ao nos aventurar num desenho, numa pintura. Sinto-me no direito de dizer que a arte não pode ser explicada por um cientista, e que talvez um filósofo possa compreender seu sentido e seu significado para a vida humana. Para nós meros mortais, basta sentir, e acredito que nesse aspecto nos aproximamos dos artistas, pois tais, também sentem, porém vão além do que podemos imaginar, eles estudam técnicas, se aperfeiçoam, discutem arte, criam e recriam num processo que pode levar uma vida inteira até atingir a maturidade artística.
Para mim em particular, e para muitos que conheço, o processo que leva um grande artista a ser artista não está ligada somente a sua criatividade e sensibilidade, mas também, e principalmente, à sua capacidade de utilizar as técnicas e aprendizagem artística para recriar um novo contexto de se fazer arte com sua própria inspiração e muita, muita transpiração. É isso que aprendemos com a história dos grandes artistas. A arte tem um contexto, e os artistas participam desse contexto, discutem entre si, aprendem entre si. E para alcançar isso não basta estudar a história da arte, é preciso técnica e prática.
Infelizmente os artistas e a arte pós-moderna pensam diferente de mim, mostrando a arte apenas como um ímpeto criativo que não deve se amarrar a formas e técnicas, utilizando-se somente de sua criatividade e sensibilidade. Mas acreditem ou não a arte é ESTÉTICA, gostem ou não.
A arte não é só emoção e sentimento, também requer estudos, e não apenas um ímpeto rebelde de criar. Uma criação artística não leva um dia, um mês, ou um ano, leva-se uma vida, muitos anos de conhecimento, estudo e aplicação da arte, e isso que é apreendido em sua vida faz parte do processo criativo.
Numa reflexão com Camizão, um grande artista que tive o prazer de conhecer a alguns anos, revelou-se uma realidade que ainda não havia percebido.
- Nada mais contemporâneo do que esse lixo artístico com que nos deparamos nas galerias. Eles refletem justamente a crise desse mundo pós-moderno. De desarmonia com o mundo, com o corpo e com a mente, nesse emaranhado em que nos encontramos que não tem propósito. A Terra possui uma pulsação que vibra na mesma sintonia que nosso coração, é como se fossemos tudo a mesma coisa, a Terra é uma extensão de nossos corpos, e tudo que fazemos para agredi-la volta-se contra nós, não só na água poluída, mas numa sensibilidade intrínseca que possuímos de sentir o mundo na mesma sintonia do pulsar do coração, ainda não sabemos o que esse sentimento de caos que absorvemos significa, mas toda essa agressão que criamos é repassado e transmitido através da arte.
Eu rio.
- Mas é verdade!
- Rio pela ironia deste mundo. Quer dizer: nada mais contemporâneo do que esse lixo artístico! É desse mundo que eu faço parte, é desse processo de destruição que faço parte. Dessa loucura sufocante e agonizante que não tem sentido. Nesse mundo niilista, que é refletida nessa arte niilista. E a arte é um refugio e uma denuncia anônima, que não tem sentido para quem produz ou reproduz isso. A arte se torna uma válvula de escape em que expressamos essa agonia. Essa arte-lixo é uma denuncia de que o mundo está em crise, de que viver não tem sentido, que estamos destruindo a Terra assim como a nós mesmos.
E em minha agonia me pergunto, para que o mundo produz tanta arte? A arte é um refúgio da alma, não de uma alma divina, mas no sentido filosófico do que dá animo ao ser. Bem, poderia ser a religião, uma paixão, assim como pode ser a arte. Mas o prazer de viver da arte é somente para os que beiram a loucura, pois nada mais abstrato do que ela, você não sabe o porquê, mas ela te alimenta, te satisfaz e te completa. Não é como o amor, pois não te limita e não é como uma religião, pois não te dá uma resposta pronta. A arte é somente para os que beiram a loucura!

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Admirável Mundo Novo

Onde tudo é permitido. Menos a dor. Ocupamos-nos e nos relacionamos com o outro a todo o momento. Ou não. E renegamos o sentimento. Achamos-nos intocáveis. Inabaláveis. Deixar de lado todas nossas preocupações e mágoas para entregarmos-nos somente ao prazer. Só isto é válido. Fingir que está tudo bem. Estamos bem e nada nos atinge. Tentar esquecer o mais profundo de nossos pensamentos. A sensibilidade humana renegada em favor da razão. E neste processo tornamos-nos cada dia “menos humanos”. Ou humanos piores. Percebemos o universo como se tudo fosse possível. Que estamos sempre certo. O errado não existe. Tudo pelo prazer. A dor não é permitida. É só tomar a pílula mágica. Para dormir. Para comer. Para esquecer. Para lembrar. Esquecemos que a dor é tão fundamental quanto qualquer outro sentido. Faz parte do processo de humanização do ser. Não me sinto capaz de esquecer, fingir que não existiu, que não aconteceu. Os pensamentos ainda se remoem em minha mente. E negar isto é negar meu ser. Onde tudo no dia a dia passa tão rápido. Nossos sentidos se ocupam de tanta coisa que não podemos perceber. Outdoor. Carros. Panfletos. Cartazes. Buzinas. Propagandas. Televisão. Computador. E a cada ação inanimada do mundo o nosso corpo reage. E sem nos darmos conta dos excessos. Tornamos-nos frígidos. Os sentidos pelo qual nos relacionamos com outro ser humano, qual é o seu? As relações se tornam tão voláteis. Tudo é tão superficial e passageiro. E o sentimento? Algo que tanto prezo. Renegamos de nossas mentes. Como se não existisse. Não quero pensar nisto. Não quero sentir. Não quero dor. Não quero sofrer. Não quero morrer. Quero esquecer. Quero esquecer. Sou inatingível. Eu! Tudo é tão insólido. Insatisfeito. Breve. Esconder no fundo do baú nossos medos é fingir que somos super-heróis. Não a dor. Não ao medo. Não ao erro. Estamos sempre certo. E nessa certeza tudo se torna tão frágil quando descobrimos que outro jeito é possível. E o que era tão sólido se desmancha no ar com tanta facilidade. Vamos continuar em nosso pedestal. Porque temos medo de cair. E sou incapaz de reconhecer a nobreza de se levantar. Ficamos tão abitolados em nossa prepotência. Somos auto-suficientes. E nos enterramos em nosso próprio orgulho. Escondemos-nos em nossos casulos. Sem saber a beleza de voar. Sem perceber vamos atrofiando como ser humano. Medíocres, pequenos. Eu. Negando a própria fragilidade humana. Da carne. Do sangue. E isso é ser humano? Humano pós-moderno.


não sei

inspirada pelo blog de stella lira, minha queriada amiga, resolvi criar uma página pra mim! ainda não sei o que vou fazer por aqui, mas nos dias de inspiração vou postar minhas sórdidas idéias! aproveitem, ou não!

e assim eu vou caminhando contra o vento porque sou o avesso do avesso do avesso!